Ás vezes eu penso que já acabou, ainda que eu nunca tenha dito em voz alta, porque eu tenho e sempre tive medo de que se eu dissesse os meus pensamentos se concretizassem, e tudo estivesse acabado oficialmente então.
Porque eu penso, mas não quero, tenho pavor de que não seja pra sempre, de não fazer tudo o que a gente combinou, o casamento, as viagens, os filhos e tudo mais, de morrer sem você.
Eu não quero me acostumar com a velha vida de não ter você, a antiga rotina sem as suas mãos agarradas às minhas, sem a sua expressão linda e indecifrável ao concentrar seus olhos em mim, e logo em seguida o suspiro e o sorriso meio torto que você dá. O modo que você arqueia as sobrancelhas quando não me entende, que briga comigo por ser tão desastrada e essa sua mania de querer sempre me superproteger.
Queria eu que essas coisas que citei fossem tudo o que eu teria que lutar para viver sem, que você não tivesse milhares de outras características e manias para que eu sentisse falta, que nós não tivéssemos vivido tantas coisas, dito e escrito tantas palavras, dedicado tantas músicas um ao outro, pra que eu pudesse recordar, mas nós o fizemos.

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